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Pouco mais de um quilômetro para chegar à TV Bandeirantes, vi os riscos no céu formados pelos dois canhões de luzes que anunciavam o grande acontecimento da noite. Na entrada, carros não paravam de chegar ao primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, ocorrido na última segunda-feira. Mas o evento não só foi insosso – e não apenas pela ausência de Lula –,
Adestrados por marketeiros e assessores, os candidatos só disseram aquilo que, segundo as pesquisas que encomendam, os eleitores gostariam de ouvir. Enfim, o debate não foi, de fato, um debate, conforme a acepção da palavra.
Heloísa Helena apelou para o sentimentalismo barato ao bater na tecla de que é mãe sofredora. Ora, a minha também é! Aliás, o sofrimento faz parte da condição de mãe. Mas isso não credencia ninguém a ser presidente da República. Geraldo Alckmin quase parecia um apresentador lendo um teleprompter, tamanha sua falta de espontaneidade.
Não houve confronto de idéias, não houve tensão, adrenalina. Tanto que o jornalista Joelmir Beting cochilou. No terceiro bloco, o presenciei “pescando” umas três vezes. No final, políticos e jornalistas na platéia mais batiam papo do que prestavam atenção.
Talvez os leitores pensem que eu esperasse baixaria. Não mesmo. Esperava apenas algo parecido com o que Heloísa fez em sua entrevista ao Jornal Nacional. Que um candidato desestabilizasse o outro. Que alguém amarelasse diante das câmeras, como Geraldo Alckmin o fez no mesmo JN. Enfim, presença de espírito.
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